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Artesanato / Arte / Xilografia / Art / Xylography

21/05/2007

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XILOGRAFIA / XILOGRAVURA

Este sistema é um dos mais antigos métodos de gravação e seu nome deriva do grego xylon (madeira) e grafos (gravar).
O processo xilográfico consiste em entalhar linhas sobre uma prancha de madeira, pensando que as partes visíveis serão as que estiverem em relevo e que as sem impressão serão as que estarão em baixo relevo.

Este tipo de impressão -conta a história- já se praticava no Oriente desde o século VII e era utilizado especialmente para a estampa de tecidos. Aparece na Europa muito tempo depois e os primeiros registros são do século XIV em estampas religiosas e calendários. Com a difusão do papel na Europa no século XV houve uma expansão da xilografia. A maior expressão da xilogravura tem destaque na Alemanha com a presença de Albert Dürer (1471-1528). Outro artista, no século XVII destacou-se na xilografia, Lucas Cranach e a partir do século XVII começa a substituição da base de madeira pela de metal.
Graças à precisão artística alcançada pela técnica, no século XIX foi muito utilizada para a ilustração de livros e de periódicos.

adurer-melancolia01.jpg Lucas Cranach-Werwolf

Vamos aos passos para a confecção de xilogravuras:

1- Escolha uma base de madeira uniforme para que a impressão seja homogênea; evite madeiras com defeitos ou nós. A madeira pode ser de qualquer espécie e no Brasil temos muita disponibilidade de madeiras com as características certas como a peroba rosa, a peroba do campo, o pequia marfim , a goiabeira, a canela etc…
A regra básica diz que em trabalhos muito detalhados usa-se madeira dura e em trabalhos com grandes áreas menos detalhadas podem ser usadas madeiras mais macias tipo cerejeira, cedro e pinho. Há a necessidade de se preparar a madeira com lixas cada vez mais finas para eliminar qualquer imperfeição e deixar a superfície como se tivesse sido polida. Aí estará pronta para receber o desenho e o entalhe.

2- Escolhido o desenho deve-se transferi-lo usando carbono ou pode-se desenhar diretamente na madeira. Escolha uma maneira de determinar o que será escavado e o que ficará; para isso pode-se usar tinta nanquim nas áreas que ficarão ou achurar (riscar leve e continuamente) com o lápis. Lembre-se, que o desenho ficará invertido; se for escrever algo, as letras deverão estar invertidas da mesma forma que um carimbo.

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3- As ferramentas para o entalhe podem ser a goiva,

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o buril,

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formão e a faca. Com cada formato de ponta se obtém um resultado de acabamento e precisão diferentes, o que deve ser testado e experimentado em outro pedaço que não será usado para saber o que esperar de cada tipo.
Devem estar sempre bem afiadas e depois de usadas, ser armazenadas com muito cuidado.
Acidentes durante o entalhe são frequentes e para evitá-los faça você mesmo algum tipo apoio para evitar que a base se mova e escape da sua mão.
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4- É hora de começar! Escolhidas as ferramentas, entalhe e retire da superfície o que não vai querer que saia na impressão. Lembre-se: a profundidade do entalhe está diretamente ligada à limpeza da área sem impressão; se não for tirado o suficiente, ao entintarmos a madeira corremos o risco de a tinta encostar na área determinada para não imprimir e surgir como impressão numa área não desejada. Com o tempo e a prática você poderá fazer experiências, como riscar  áreas que deveriam ser pretas chapadas e criar com isso, diferentes efeitos e texturas.xilogravura-01a.jpg
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5- Original pronto, vamos à impressão. Sobre uma superfície lisa (vidro, granito etc…) coloque uma pequena quantidade de tinta e com o auxílio de um rolo (especial para entintar) espalhe a tinta até obter uma distribuição homogênea; isso é necessário para distribuir uniformemente a tinta no rolo. Passe em seguida o rolo sobre a matriz de madeira, preferencialmente no sentido da fibra e entinte uniformemente, sem pressionar.

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Rolo Entintar Xilografia

Em seguida, com toda a delicadeza pouse o papel para onde será transferida a tinta por sobre a matriz e munido de uma colher de pau esfregue o fundo da colher sobre o papel que está sobre a matriz em movimentos circulares e exercendo pressão suficiente.

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Depois de perceber que toda área de impressão foi trabalhada, retire o papel puxando por uma das pontas, levantando lentamente.

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Esta primeira prova é chamada de “Prova de Estado” ou “PE”. Após algumas PE a madeira já deve ter absorvido bem a tinta, proporcionando provas sem falhas e então é hora de fazer as cópias que poderão ser numeradas; caso pretenda fazer 50 copias dessa matriz, na primeira escreva a lápis em um canto de sua gravura 1/50 e assine sua obra, 2/50 e assinatura e assim por diante. Se for comercializá-las essa numeração será importante. Caso escolha algumas para você mesmo, (o que geralmente oscila entre 10% do total), essas provas serão chamadas de “Prova do Artista” ou “PA”, e deverão ter antes do número, a sigla PA.
Deixe secar muito bem antes de colocar uma cópia sobre a outra.
Parabéns.

Obs.: Existem outros materiais sobre a qual se podem fazer entalhes obtendo também boas impressões e são eles a madeira compensada e o linóleo. Outro material que surgiu recentemente e vem fazendo sucesso na indústria moveleira é o MDF que tem superfície bem lisa, e também muito boa para entalhar pois não tem direção de fibras.
Obs.: A colher de pau é uma adaptação dos nossos dias mas é o “Baren” a ferramenta correta para pressionar o papel contra a matriz de forma homogênea

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Muito importante em nossa cultura, a arte da Xilografia ou Xilogravura teve grande participação na arte de cordel. Estas obras se caracterizam por poesias populares que inicialmente se propagavam de forma oral e depois passaram a ser impressas. Como estes folhetins precisavam de capa, vários ilustradores surgiram para este fim. Um dos mais famosos artistas brasileiros é José Francisco Borges, que aos 29 anos começou a escrever poemas  e no seu primeiro utilizou-se de um ilustrador local para fazer a matriz de sua capa. Como não tinha dinheiro para contratar tais profissionais para suas poesias seguintes, começou a fazer suas próprias matrizes e ilustrações e não parou mais. Tendo feito mais de 200 ilustrações para lieraturas de cordel, sua arte aumentou de tamanho e dentro do tema vida nordestina confeccionou varias imagens que foram descobertas por marchands do Brasil e do mundo. J. Borges, como assina, já expos seus trabalhos várias vezes na Europa e Estados Unidos.

Sua obra tornou-se tão respeitada e conhecida no Brasil que até participou de aberturas de novelas como o grande sucesso “Roque Santeiro”. Ainda hoje novelas se inspram nesse visual quando o tema é o sertão do nordeste.


Dentre muitas obras de J. Borges está “A moça roubada”.

A Moça Roubada

Muito apreciada a xilogravura também serve de inspiração para materiais promocionais como os calendários abaixo.

   

Com relação aos materiais para sua confecção, indicamos principalente as tintas. Algumas marcas boas são a LUKAS, SAKURA, TALENS e a SPEEDBALL. Por se tratar de material importado, o custos das tintas especiais para xilogravura é alto e os tubos vêm em pouca quantidade. Para resolver este problema com uma solução local, procure uma gráfica perto e sua casa e peça ao proprietário um pouco de tinta de impressão offset que servirá da mesma forma e existem nas cores Preta, Azul (cyan), Magenta (um rosa escuro) e Amarela. A mistura destas dará uma gama de cores muito boa para se iniciar nesta arte tão fantástica. Segue aqui o link do site da Speedball na parte de materiais para xilografia em geral, que já podem ser encontrados em lojas de material artístico aqui no Brasil.             http://www.speedballart.com/our-products.php?cat=13

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